quarta-feira, 16 de outubro de 2013

TCC CONTROLE DE CAIXA - RELACIONADO AO FORMATO DE NEGÓCIOS DE EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS, CONFIRA, VALE A PENA LER ESTE ESTUDO


  • CRÉDITOS: 
    • Bianca Carro Gonzaga R.A 4213292 GESTÃO DO FLUXO DE CAIXA Aplicada ao Microempreendedor Individual SÃO PAULO 2012
    • 2. FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS Bianca Carro Gonzaga GESTÃO DO FLUXO DE CAIXA A Importância desta Ferramenta para o Microempreendedor Individual Trabalho de Estágio Supervisionado, apresentado para a conclusão do curso de Ciências Contábeis da FMU – Faculdades Metropolitanas Unidas, sob a orientação do Profº Elias Pereira. SÃO PAULO 2012


  • ESTUDO COMPLETO EM:  http://www.slideshare.net/BiancaCarroGonzaga/fluxo-de-caixa-aplicado-ao-mei

  •  RESUMO Este trabalho foi desenvolvido a partir da concepção de que a gestão do fluxo de caixa é uma ferramentade fundamental importância para a sobrevivência e desenvolvimento da empresa, inclusive domicroempreendedor individual. Ainda que dispensado da contabilidade formal, este empresário necessita do controle de suas movimentações. O fluxo de caixa evidencia toda a circulação de dinheiro na empresa sendo, portanto, um instrumento não só aplicável mas também indispensável ao processo de tomada de decisão. Visando primeiramente comprovar a concepção acima, e ainda, tornar este trabalho um guia informativo para o microempresário, procurou-se analisar, a título de estudo de caso, como é feito o controle financeiro em uma microempresa prestadora de serviços no ramo de funilaria e pintura de veículos, e demonstrarcomo uma boa gestão do fluxo de caixa, dentro do aplicável, pode trazer melhorias ao desempenho da empresa. Essa verificação está devidamente apoiada pela fundamentação teórica que sustenta opresente trabalho em todo o seu decorrer. Buscando também contribuir para o desempenho financeiro da referida empresa, a autora deste trabalho sugeriu ainda uma Demonstração de Evolução das Receitas, para apoiar as decisões tomadas com base no Fluxo de Caixa. Ponderando todos os aspectos abordados no trabalho, pode-se concluir que o fluxo de caixa é um importante instrumento de gestão financeira que auxilia o empresário a controlar com eficácia todos as operações financeiras realizadas pela empresa, sendo também um instrumento que apoia a tomada de decisões a curto prazo, principalmente as que envolvem questões de capital de giro e investimento. O fluxo de caixa também cumpre seu papel ao orientar o empresário a planejar e controlar de forma mais apropriada os recursos financeiros da empresa. Palavras-chave: Fluxo de caixa; Controle gerencial; Microempreendedor individual; Tomada de decisão.
  • 7. ABSTRACT This work was developed under the concept that the management of cash flow is a crucial tool for business survival and development of the individual micro entrepreneur too. Although exempt from formal accounts, these entrepreneurs need to managetheir financial movements. The cash flow shows all movements of money in the company and is a tool applicable and essential in decisions making. In order to prove the concept above and make this work an informative guide to the business owner, sought to analyze, as a case study, how is the financial control in a small business (service provider - industry bodywork and painting of vehicles), and also how a good cash flow management, within the applicable,may contributes to business performance. This analysis is fully supported by the theoretical foundation that supports the objective of this work throughout its course. Seeking also contribute to the financial performance of this company, the author of this work also suggested a Statement of Changes in Revenues to support the decisions made based on cash flow. Considering all aspects covered in this work, it can be concluded that cash flow is an important financial management tool that helps the entrepreneur to effectively manage all financial operations carried out by the company and is also a tool that supports decision making in a short-term, especially those involves working capital and investment issues. Cash flow also helps the entrepreneur to plan and control properly the company's financial resources. Keywords: Cash Flow; Managerial Control; Individual micro entrepreneur; Decision Making.
  • 8. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS DAS: Documento de Arrecadação do Simples Nacional DFC: Demonstração do Fluxo de Caixa MEI:Microempreendedor Individual ROI: ReturnonInvestment (Retorno sobre Investimentos) IBRACON: Instituto dos Auditores Independentes do Brasil SIMPLES: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte
  • 9. LISTA DE TABELAS, GRÁFICOS E FIGURAS FIGURA I:Modelo de Demonstração dos Fluxos de Caixa elaborada pelo método Indireto – Anexo II da NPC 20/1999 do Ibracon. FIGURA II: Modelo de Demonstração dos Fluxos de Caixa elaborada pelo método Direto - Anexo I da NPC 20/1999 do Ibracon FIGURA III: Conciliação do Resultado do Exercício FIGURA IV:Método Direto vs. Método Indireto TABELA I: Limites proporcionais de faturamento para enquadramento ao MEI ANEXO I: Lista das atividades que podem se enquadrar ao MEI ANEXO II: Base legal MEI (atualizada em Janeiro/2012) ANEXO III:Tabela de custos MEI ANEXO IV: Relatório Mensal de Receitas Brutas
  • 10. 1. INTRODUÇÃO Sobreviver ao cenário globalizado cada vez mais competitivo vem sendo um grande desafio para os microempreendedores individuais (MEI) no contexto geral do mercado, principalmente no que diz respeito aos aspectos financeiros. O que ocorre, no geral, é que esses empresários envidam maiores esforços para a atividade operacional em si, dando menos ou até mesmo nenhuma ênfase à gestão financeira. O microempreendedor individual é aquela pessoa que trabalha por conta própria (trabalhador informal) e decidiu legalizar sua situação com o governo, tornando-se um pequeno empresário. Esse trabalhador pode ter renda anual máxima de sessenta mil reais (R$ 60.000,00), não pode ser sócio de outra empresa, mas pode ter um empregado, recebendo um salário mínimo ou o piso da categoria pertinente. Geralmente são empreendimentos de bairro que comercializam produtos ou serviços para pessoas que moram ao entorno, competem com outros pequenos empreendimentos existentes na área, e administram suas finanças através da experiência que acumularam durante o tempo de gestão. Devido a essas características identifica-se certa dificuldade em implementar técnicas de administração financeira neste tipo de empresa, visto que este empresário ainda não possui dimensão da importância da aplicação dessas técnicas e conceitos na empresa e do quanto a adequada gestão do fluxo de caixa poderá contribuir para o crescimento da mesma. O objetivo básico do fluxo de caixa é projetar as disponibilidades financeiras da empresa, produzindo informações necessárias à programação da captação de recursos financeiros, otimização das aplicações de sobras de caixa, gerenciamento das contas a pagar e de contas a receber, avaliação do impacto de variações de custos e preços, entre outras decisões importantes. O fluxo de caixa é uma ferramenta de fundamental importância para a boa administração e avaliação das organizações. A sua adoção possibilita uma gestão dos recursos financeiros que representam sérias ameaças à continuidade das organizações. A boa utilização da ferramenta fluxo de caixa
  • 11. também possibilita o conhecimento do grau de independência financeira das organizações, com base na avaliação do seu potencial para geração de recursos no futuro visando saldar seus compromissos e pagar a remuneração dos seus empreendedores. Logo, estudantes e professores insistem em colocar seus estudos de casos em grandes empresas do Brasil e do exterior, pois há um entendimento em comum de que estas empresas possuem estruturas organizacionais que proporcionam a aplicabilidade da Ciência. Entretanto, com um pouco mais de observação e criatividade, além de um acompanhamento do fluxo diário das atividades da empresa, é possível identificar estruturas em empreendimentos pequenos, que estão dentro da realidade em que estamos inseridos. Reconhecendo a importância de micro e pequenos empreendimentos para a economia do país no que tange à geração de trabalho, renda, circulação de mercadorias e desenvolvimento da qualidade de vida, este trabalho pretende então contribuir com os microempreendedores individuais, fazendo-os enxergar que é possível valer-se de ferramentas gerenciais como um facilitador e suporte para tomada de decisões fundamentais ao crescimento e desenvolvimento dos negócios. 1.1 Contextualização Sabemos que o MEI é dispensado da contabilidade formal. Contudo manter um controle das entradas e saídas de recursos é a organização mínima necessária para o gerenciamento do negócio e o ponto de partida para o crescimento e desenvolvimento do mesmo. Buscar ferramentas que traduzam de forma clara a situação financeira da empresa e que possibilite ao empresário antever problemas a tempo de minimizar seus efeitos ou solucioná- los, é fundamental para a sustentação da empresa. Neste contexto, este estudo está focado na administração do Fluxo de Caixa como ferramenta facilitadora da gestão financeira do MEI, principalmente no que diz respeito à análise da viabilidade, relevância e resultados obtidos após a implementaçãodeste processo. É também pretensão deste trabalho ser um guia para que estes empresários não só entendam a importância da gestão
  • 12. de caixa para a continuidade e expansão dos negócios, mas que também os auxilie no processo de implantação desta ferramenta tão fundamental. 1.2 Situação Problema Com o dinamismo da economia em constante mutação e mercado competitivo, a informação passou de importante para imprescindível a qualquer empreendimento, independente de seu porte. O fluxo de caixa, como ferramenta de gestão, fornece à empresa o acesso a informações atualizadas, com projeção futura e de fácil compreensão, auxiliando no fluxo de informações a respeito dos recursos financeiros da empresa e no processo de tomada de decisão. Devido ao porte do MEI coloca-se em questão a aplicabilidade da gestão financeira, e também, a relevância da execução deste controle. Sendo a estrutura funcional do empreendimento limitada a duas pessoas, muito provavelmente focadas inteiramente em desenvolver o trabalho objeto da empresa, identifica-se uma dificuldade em enquadrar a correta administração de recursos no fluxo diário de atividades. Outro problema está atrelado à correta execução desta gestão, uma vez que em muitos casos, esses empresários possuem apenas o conhecimento técnico em torno do trabalho em que se propõe a executar, não se importando tanto com a adequada administração dos recursos. 1.3 Questão a ser respondida Como adaptar o gerenciamento do Fluxo de Caixa à realidade do MEI, auxiliando-o na previsão de necessidades ou sobras de caixa em dado período? 1.4 Hipótese Se o Fluxo de Caixa é uma ferramenta de controle financeiro que visa diminuir osriscos na gestão, então o microempreendedor individual que utiliza essa ferramenta deve apresentar maior controlena necessidade ou sobra dos recursos.
  • 13. Uma vez que a este tipo de empreendimento requer-se apenas o controle das entradas e saídas de recursos, a gestão do Fluxo de Caixa torna- se útil a este objetivo, auxiliando não só no controle das movimentações financeiras, mas também gerando informações mais completas e dinâmicas, fundamentais ao desempenho do empreendimento. Para isto, é necessário antes que seja feito um trabalho de conscientização e treinamento do empresário, para que este saiba utilizar corretamente a ferramenta de acordo com as necessidades da empresa e saiba também interpretar as informações geradas por este controle. 1.5 Metodologia Este trabalho constitui-se em dois marcos que se complementam entre si: a) pesquisa bibliográfica visando o embasamento teórico. Neste aspecto considera-se também a análise de estudos semelhantes já realizados: resultados alcançados, posicionamento dos autores em relação ao tema, etc.; b) estudo de caso: “consiste na coleta direta de informações no local em que acontecem os fenômenos; é o que se realiza fora do laboratório, no próprio terreno das ocorrências” (SILVA, 2003, p.63). No caso concreto, este estudo será aplicado a uma oficina de funilaria e pintura de veículos, enquadrada ao regime do Micro empreendedor Individual. 1.6 Variáveis Dentre as muitas variáveis que afetam o fluxo de caixa, vale citar algumas das quais notamos afetar substancialmente o caixa do tipo de empreendimento estudado (atividades do MEI - prestador de serviços de funilaria e pintura), que são: o número de serviços prestados, demanda de serviços, custo fixo e custo variável dos materiais utilizados, o custo do dinheiro e o preço de venda, requisitos das seguradoras dos veículos, sazonalidade, etc.
  • 14. 1.7 Resultados Esperados Ao final dos estudos pretende-se evidenciar a importância da gestão do fluxo de caixa para o MEI e como esta ferramenta pode agregar em termos de desenvolvimento e sustentação dos negócios, quando bem adaptada às necessidades e estrutura da empresa. Especificamente, estão dentre os objetivos: Observar a gestão e análise do fluxo de caixa como ferramenta para auxiliar o empresário a obter maior eficiência na administração de seus recursos financeiros; A função do fluxo de caixa na tomada de decisões; Elaborar o fluxo de caixa de ummicroempreendimentode forma a ilustrar sua aplicabilidade na administração dos recursos financeiros do MEI. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Fluxos de Caixa – Conceituação Conceitua-se o fluxo de caixa como um instrumento que relaciona os ingressos e saídas (desembolsos) de recursos monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo de tempo. A partir da elaboração do fluxo de caixa é possível prognosticar eventuais excedentes ou escassez de caixa, determinando-se medidas saneadoras a serem tomadas. (ASSAF NETO e TIBÚRCIO SILVA, 1997, p.35). Em síntese, por fluxo de caixa pode-se compreender, conforme (Gentil, 2007) “[...] o movimento de todas as entradas e saídas de recursos financeiros do caixa, ou seja, das origens de caixa (fatores que aumentam o caixa da empresa) e das aplicações de caixa (reduzem o caixa da empresa) [...] ”
  • 15. De forma análoga Pizzolato (2000, p.106) define o fluxo de caixa como uma caixa d´água contendo medidores de vazão de entrada e saída. O volume de água final é igual ao volume inicial mais a vazão de entrada menos a vazão de saída. Complementa ainda dizendo que “a Demonstração do Fluxo de Caixa especifica as origens do fluxo de entrada e os diversos destinos do fluxo de saída”. Para Zdanowicz (2000, p.33) o fluxo de caixa é o instrumento que permite demonstrar as operações financeiras que serão realizadas pela empresa, facilitando a análise e a decisão, de comprometer os recursos financeiros, de relacionar o uso das linhas de créditos menos onerosas, de determinar o quanto a organização dispõe de capitais próprios, bem como utilizar as disponibilidades da melhor forma possível. Iudicibus e Marion (1999, p.218) afirmam que a demonstração do fluxo de caixa “demonstra a origem e aplicação de todo o dinheiro que transitou pelo caixa em um determinado período e o resultado desse fluxo” sendo que caixa engloba as contas caixa e bancos, evidenciando as entradas e saídas de valores monetários no decorrer das operações que ocorrem ao longo do tempo nas organizações. Thiesen (2000, p.10), por sua vez, complementa explicando que a Demonstração do Fluxo de Caixa “permite mostrar, de forma direta ou mesmo indireta, as mudanças que tiveram reflexo no caixa, suas origens e aplicações”. E Iudicibus e Marion (1999) afirmam ainda que esta demonstração ainda é utilizada apenas para fins de controle interno, e refere-se somente aos recursos em dinheiro, ou seja, todos os recursos e aplicações da empresa que tiveram reflexos diretamente no caixa. 2.2Objetivo do Fluxo de Caixa e sua Importância As informações sobre os fluxos de caixa objetivam proporcionar aos usuários das demonstrações financeiras uma base para avaliar a capacidade da empresa em gerar caixa e equivalente de caixa, bem como projetar os períodos de maiores necessidades ou excessos de caixa, conforme o caso.
  • 16. O Fluxo de caixa tem por objetivo básico a projeção das entradas e saídas de recursos financeiros para determinado período, visando prognosticar a necessidade de captar empréstimo ou aplicar excedentes de caixa nas operações mais rentáveis para a empresa (MARQUES et AL., 2009). De acordo com Braga e Marques (2001, citado por Bressan e Cruz), a partir da DFC, podem ser extraídos diversos indicadores de desempenho que permitem relacionar fluxos gerados ou consumidos a um item específico. Os mesmos afirmam ainda que por meio de tais indicadores, é possível avaliar a suficiência e eficiência do negócio, bem como a capacidade de pagamento ou nível de rentabilidade do empreendimento. Segundo Sá, vê-se que o interesse pelo estudo sistemático do fluxo de caixa é recente, o que justifica a literatura limitada sobre o assunto e o uso limitado da utilização desta ferramenta pelos empresários. Ele menciona ainda a obra de Ademar F. Campos, Demonstrações dos Fluxos de Caixa (Atlas, 1999), onde foram citados vários autores que vinham alertando para a importância do fluxo de caixa e para o perigo que representa basear o processo decisório apenas nas demonstrações contábeis. Transcrevo abaixo alguns trechos do livro: “O fluxo de caixa é a espinha dorsal da empresa. Sem ele não se saberá quando haverá recursos suficientes para sustentar as operações ou quando haverá necessidade de financiamento bancários. Empresas que necessitem continuamente de empréstimos de última hora poderão se deparar com dificuldades de encontrar bancos que as financiem” (Gitman, 1997:586). “Como entender a lógica de um administrador ou investidor que utiliza, no processo de decisão inicial sobre investimentos, técnicas sofisticadas de avaliação, aplicando conceitos como valor atual líquido, taxa interna de retorno, índice de lucratividade e, depois, nas fases de operação e controle, passa a medir o desempenho dos investimentos com base em lucros contábeis e taxas históricas tipo “ROI”? Figurativamente, seria o mesmo que esse administrador ou investidor estivesse comparando laranjas com maçãs e, pior, pesando as laranjas e contando as maçãs” (Falcini, 1992:38).
  • 17. “Do mesmo modo que vimos, durante a primeira metade do século, a demonstração de resultados substituir o balanço patrimonial em ordem de importância, hoje em dia, o que observamos , é uma diminuição da ênfase daquela demonstração em favor de uma demonstração do fluxo de caixa ou fluxo de fundos. Cada um de nós vê o futuro de modo diferente, mas acredito que, no que diz respeito à história da contabilidade, os próximos 25 anos serão vistos como a fase crepuscular do lucro contábil como medida de desempenho” (Solomons, 1961:31). “A necessidade de se desenvolver demonstrações de fluxo de caixa decorre do aumento da complexidade das atividades operacionais, o que provoca grandes disparidades entre o período no qual os lançamentos de receitas e despesas são apresentados e o período em que os correspondentes fluxos de caixa realmente ocorrem. Tal complexidade pode provocar uma maior oscilação no fluxo de caixa. Fatores externos, tais como a inflação ou mudanças no cenário econômico, afetam mais rapidamente os fluxos de caixa do que qualquer lucro contábil” (Hendriksen, 1982:109). “Está implícito que, mais cedo ou mais tarde, no longo prazo, lucro e caixa serão iguais. O grande economista Lord Keynes, discutindo o assunto teria dito: „Sim, mas no longo prazo poderemos estar todos mortos‟” (King, 1994:17). “Os balanços expressam apenas as opiniões dos auditores, não os fatos. Dinheiro é fato. Caixa é fato. Não se produz caixa com artifícios contábeis. Os investidores devem olhar para as empresas como olham os banqueiros. O que importa é o caixa. Se uma empresa reporta lucros elevados, mas não está gerando caixa, ela pode não estar gerando lucro algum. É preciso ter em mente que o que quebra uma empresa não é a falta de lucro; as empresas quebram por falta de caixa” (Smith, 1994:42). “É possível que uma empresa apresente lucro líquido e um bom retorno sobre investimentos e, ainda assim, vá a falência. O péssimo fluxo de caixa é o que acaba com a maioria das empresas que fracassam” (Goldratt e Cox, 1990:45). “Se você possuir (recursos) suficientes, então o fluxo de caixa não é importante. Mas se você não os possuir, nada é mais importante. É uma
  • 18. questão de sobrevivência. Fique acima da linha e tudo bem. Fique abaixo e você está morto” (Goldratt e Cox, 1990:45, 46). “Há muito tempo que uma empresa pode operar sem lucros por muitos anos, desde que possua um fluxo de caixa adequado. O oposto não é verdade. De fato, um aperto na liquidez costuma ser mais prejudicial do que um aperto nos lucros”. (Drucker, 1992:174). “Aí está um dos problemas no reino do (Grupo) Itamarati. Seus negócios não geram caixa. Nem mesmo uma série de prejuízos é tão nociva para uma empresa quanto a falta de fluxo de caixa, diz um banqueiro paulista. E os negócios do Olacyr (de Moraes) são vulneráveis neste ponto” (Exame, 1996:37). “Muitas vezes nós medimos tudo e não entendemos nada. As três coisas mais importantes a medir em um negócio são: a satisfação dos clientes, a satisfação dos empregados e o fluxo de caixa” (Jack Welch – Exame, 1993:32). 2.3Principais características do Fluxo de Caixa Sendo o fluxo de caixa fundamental para o gerenciamento e planejamento de entrada e saída de recursos da empresa, é importante que suas características sejam conhecidas, pois elas fornecem uma visão consolidada das informações disponíveis e da forma em que as informações relacionam-se. As principais características são: Relaciona cronologicamente os recebimentos e pagamentos de forma analítica ou sintética; O período de análise de fluxo é o usuário quem define; Trabalha com valores previstos e realizados; É elaborado geralmente em base diária, com um período de cobertura de um mês corrido; Utiliza o método direto para obtenção dos dados, onde eles são desvinculados dos números gerados pela contabilidade. Esses dados são obtidos a partir de estimativas de entradas e saídas de caixa
  • 19. oriundas, principalmente, das áreas de contas a receber, vendas, contas a pagar, compras e contratos; Não se confunde com orçamento de caixa, que é um instrumento de acompanhamento e controle de metas elaborado usualmente em base anual e vinculado às projeções de resultado para o mesmo período; É distinto do demonstrativo contábil denominado Fluxo de Caixa. Este informa o que aconteceu em termos de movimentação acumulada de caixa (geralmente ao longo de um ano) no exercício a que se referem às demonstrações contábeis; Retrata a efetiva situação de caixa da empresa, já que seus números representam disponibilidades bancárias, numerário ou aplicações financeiras de resgate imediato. 2.4Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) No Brasil, em consonância com o processo de convergência da contabilidade aos padrões internacionais, a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) passou a ser um relatório obrigatório para todas as sociedades de capital aberto ou com patrimônio líquido superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), à partir de 01.01.2008 por força da Lei 11.638/2007. Além disto, a Deliberação CVM 547/2008 aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 03, que trata da referida demonstração. Tal evidência, assumida pela demonstração, justifica uma reflexão, ainda que apenas indicativa, da sua importância enquanto instrumento de gestão, contribuindo no processo de tomada de decisão. De acordo com Iudícibus, Martins e Gelbcke (2003, p.32) a DFC pode ser definida como uma peça contábil que “visa mostrar como ocorreram as movimentações de disponibilidades em um dado período de tempo”. Conceitos este que estão em harmonia com aquilo que Sá e Sá (1983, p.190) escrevem a respeito do assunto, onde definem o Fluxo de Caixada seguinte forma:

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