sábado, 22 de março de 2014

CALÇADOS DE LONA E A INOVAÇÃO ARTESÃ

Microempreendedor Individual potiguar produz calçados e os comercializa em loja virtual para todo o país: RECICLAGEM COM LOGÍSTICA REVERSA, REAPROVEITAMENTO DE INSUMOS E USO DA TECNOLOGIA PARA APRIMORAR COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS. 
Consertar o solado e a costura dos tênis durante a adolescência não é coisa do nosso tempo, nossa cultura é de descartabilidade, várias atividades ligadas a reforma, costura, reparos e outras relacionadas a manutenção do vestuário perdem espaço no mercado atualmente.
Hoje, principalmente os jovens que são "antenados" em novos modelos e marcas globais preferem comprar modelos que estão sendo lançados e esquecem em desuso os tênis desgastados. 
Mas, nostalgicamente tem sempre quem reviva o oposto, por exemplo, o Microempreendedor Individual (MEI) potiguar Uilo Andrade, a atividade incomum não só era um hobby como virou uma fonte de renda na atualidade. A experiência no manuseio dos calçados o levou, anos depois, a montar sua própria empresa. O ateliê Alto do Sapateiro e a Parêa Calçados é uma loja virtual que comercializa sapatilhas artesanais feitas de lona e sempre a partir de calçados com solados que foram desgastados ou ganharam algum tipo de dano. A ideia apesar de fazer parte de uma tendência mercadológica desfavorável nos dias de hoje deu certo que desde a abertura, há dois anos e meio, o faturamento do negócio aumentou 75%, resultado da quantidade de pedidos, vindos de várias partes do Brasil.
A utilização da lona como matéria-prima para os calçados é o grande diferencial do negócio. O conforto e a beleza são os elementos mais relevantes para a Parêa, cujo nome no Nordeste significa par. “Conseguimos essas características por meio da lona, material leve, que se molda a diferentes tipos de pés. Trabalhamos com estampas próprias, a partir de técnicas incomuns, como a serigrafia e a sublimação”, explica o microempreendedor. O trabalho já resultou em duas coleções com xilogravura - carimbo feito na madeira. O próximo lançamento, para o alto verão, terá sapatos feitos com stencil. 
A Parêa dispõe de calçados de passeio, que vão das sapatilhas femininas e masculinas, sapatos e sandálias até botas. Todos os modelos têm nome de embarcação. A bota é a Chalana, as sapatilhas, Saveiro e a Canoa, e a sandália, Catraia. “Estamos preparando um novo modelo para lançar este mês, que é uma mistura de sapatilha e sandália”, adianta. 


A maior parte das vendas vem das sapatilhas femininas baixas, ou flat. No inverno, a Chalana é bem aceita pelo público e, no alto verão (dezembro, janeiro e fevereiro), a sandália Catraia é sucesso. A produção é por demanda de pedido. É fabricado um pequeno lote, apenas para abastecer os estandes de vendas. Nos meses mais quentes, que são outubro, novembro e dezembro, são produzidos de 300 a 400 pares mensais.

Tudo é feito manualmente por Uilo Andrade no ateliê Alto do Sapateiro, localizado na comunidade de Pium, que fica na divisa dos municípios de Parnamirim e Nísia Floresta. Quando a demanda aumenta, ele contrata prestadores de serviços parceiros. O espaço foi identificado pelo projeto Caminhos de Pium, idealizado pelo Sebrae no Rio Grande do Norte, com um potencial para visitas, dentro do contexto de produção associada ao turismo.
A ideia é demonstrar como funciona uma fábrica de calçados artesanais. O visitante aprende como os sapatos são feitos manualmente, com a utilização de pouquíssimas máquinas e ferramentas. Por isso, são exclusivos. “É possível ver o seu sapato ficando pronto. Com isso, o poder de personalizar o calçado é muito grande. Comparo sempre a visita ao Alto do Sapateiro como uma visita à cozinha de um restaurante em que você vai comer. Depois da primeira visita, você se sente à vontade para fazer uma encomenda”, compara Uilo Andrade, que, além de artista plástico, já atuou em circo, toca sanfona profissionalmente desde os 17 anos e cursa Administração.
Foi também graças ao projeto Caminhos de Pium que o artista plástico resolveu se formalizar como MEI, em 2011. O suporte do Sebrae o ajudou a sair do contexto informal e trouxe profissionalização e expertise ao empreendedor. 

O microempreendedor também teve a oportunidade de participar de diversos eventos durante o período, indo desde feiras, passando pela concretização de parcerias e alianças estratégicas, fazer compras direta com o fabricante e vender com nota fiscal para empresas de maior porte. “Foi aí que surgiu um novo cenário. Juntamente com a equipe de negócio do Sebrae, consegui contato com lojistas, o que incrementou bastante a nossa receita”, afirma Uilo. 
Loja virtual
As vendas cresceram também em função da loja virtual (www.parea.com.br), que estreou no fim de 2011. O primeiro lote, com 30 pares, foi postado na rede social Facebook apenas como uma forma de obter um feedback dos amigos para a coleção do alto verão 2012. Todas as sapatilhas foram comercializadas na mesma semana pela internet. A marca conquistou clientes fiéis em todo o Brasil. Além do Rio Grande do Norte, há grande volume de pedidos vindos do Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo. 


“Tenho que estar a todo instante ligado, com foco no processo produtivo das nossas encomendas, nos prazos e na reposição dos estoques. Atividades que estão ligadas ao gerenciamento e empreendedorismo”, diz o empreendedor, referindo-se à gestão do negócio. Mas, o lado criativo não fica em segundo plano. “Graças à formação artística, criar um novo modelo, combinar cores, elaborar estampas e coleções são atividades que não dão calafrio de fazer. É muito natural. Vou juntando todos os conceitos e, durante um tempo, fico observando e pensando como transformá-los em calçado”, conta Uilo, revelando o segredo de conseguir criar com facilidade novos modelos a cada três meses.

Informações Agência Sebrae

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