domingo, 18 de janeiro de 2015

MICROEMPREENDEDORES INDIVIDUAIS

Mesmo com a divulgação e o volume crescente de financiamentos liberados ano a ano, muitos empresários de pequeno, médio e grande porte não conhecem os programas de acesso ao crédito de origem estadual, como é o caso do Banco do Povo e do Desenvolve SP; e de origem federal, como o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).
Ou seja, dinheiro público que pode ser usado para investir no negócio, gerando renda e postos de trabalho.
Somente no ano passado, os três programas de acesso ao crédito emprestaram cerca de R$ 460 milhões para os empresários ribeirão-pretanos, totalizando cerca de 2 mil operações na cidade.
Obstáculos
Mas, mesmo com esse perfil de ajudar o empreendedor, as exigências para a liberação dos empréstimos são altas.
No caso do Banco do Povo, em que a exigência não é grande, um dos fatores mais criticados é a necessidade de um fiador.
Mas, em muitos casos, os valores acabam demorando para serem liberados ou até mesmo não são aprovados por culpa da falta de organização dos próprios empresários.
“Vemos que muitas empresas não se organizam, não apresentam um plano de destinação do dinheiro de forma consistente. Isso acaba sendo um entrave e cria um obstáculo”, diz Milton Luiz de Melo Santos, diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Paulista, a Desenvolve-SP, órgão do Governo do Estado, que tem um perfil de financiamentos mais voltado para médias empresas.
No BNDES, os empresários acabam esbarrando em muita burocracia. O banco tem diversas exigências para garantir o recebimento. Portanto, para se encaixar no perfil, a empresa tem de merecer o crédito e mostrar que tem estrutura financeira para pagar.
A exigência de uma documentação detalhada, de um plano de negócios e de garantias são fatores que normalmente travam as negociações.
Mas, para as grandes empresas, o BNDES é uma das melhores linhas de crédito disponíveis.
Para a Santa Helena, empresa do ramo de alimentos, o dinheiro vai permitir financiar suas estratégias de médio a longo prazo.
“Prazos de pagamento e juros compatíveis com o retorno financeiro são os principais motivos para recorrer ao BNDES”, afirma Carlos Alberto Pereira, diretor administrativo e financeiro da Santa Helena.
Alexandre conseguiu deixar negócio mais competitivo
Alexandre Cintra Prado, 29, enquadra-se como Microempreendedor Individual (MEI) e é proprietário de uma empresa de locação de som e brinquedos infantis, a Alexandre Som.
Segundo ele, o Banco do Povo é um grande parceiro do seu negócio. Tanto é que Prado já fez quatro empréstimos e pegou todos os valores disponíveis para fomentar seu negócio. “Com o dinheiro, eu investi na compra de brinquedos e aparelhagem de som mais modernos.”
Para o empresário, as taxas de juros baixas são o principal atrativo do Banco do Povo. “Não tem burocracia, é tudo muito fácil e rápido”, afirma.
Empresa alcançou crescimento de 30%
A Profitness Equipamentos para Ginástica já fez dois financiamentos junto ao Desenvolve-SP, um em 2011 e outro no início do ano passado. Segundo a analista financeira Andreia Rocha, o empréstimo foi destinado à compra de novas máquinas para acelerar a produção. “Ter a disponibilidade de obter crédito com facilidades de pagamento e taxas de juros baixas ajuda muito o crescimento da empresa”, diz.
Com os investimentos, a empresa conseguiu pegar mais pedidos e, assim, gerou novos postos de trabalho. “Com os investimentos feitos, estimamos um crescimento em torno de 25% a 30%.”
Investimento gera emprego
No Brasil, o financiamento de longo prazo para empresas se dá notadamente por meio de recursos públicos. Isso acontece por conta do subsídio que o Governo concede. Tomando como exemplo o BNDES, a lógica funciona da seguinte maneira: o Tesouro Nacional capta recurso no mercado e empresta a uma taxa inferior a praticada nesse mesmo mercado. Essa diferença é paga pelo contribuinte. Por isso, é importante que esse recurso seja destinado para projetos de investimentos que vão gerar emprego e renda para o país, sem o qual não faria sentindo o subsídio. Considerando o contexto brasileiro, com taxas de juros elevadas, é interessante ter uma opção que viabiliza novos investimentos que, em condições normais, não seriam possíveis.

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